‘Gente bonita e festas incríveis’ atraem turistas para Gramado na pandemia

‘Gente bonita e festas incríveis’ atraem turistas para Gramado na pandemia

Estendido na quase totalidade dos 100 metros da charmosa rua Coberta, no centro de Gramado (RS), o famoso tapete vermelho costumava reunir celebridades, que desfilavam por uma galeria de teto de vidro em direção ao Palácio dos Festivais. No caminho, um gradil separava as estrelas do público que ali se acumulava.

Entretanto, na 49ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que chegou ao fim no último sábado (21), a movimentação tranquila nos arredores em nada lembrou as edições passadas, quando a avenida Borges de Medeiros, a principal da cidade, era fechada pela prefeitura. Desta vez, em edição híbrida e sem a presença costumeira de cineastas e artistas, a qualquer hora era possível passar por ali, parar e fotografar as estátuas de Kikito de quase três metros de altura.

Ao contrário de edições passadas, o Palácio dos Festivais não trazia um grande telão em sua fachada e a decoração foi bem modesta. A cenografia também não encobriu as lojinhas de chocolate e pipoca que, nos anos anteriores, serviam somente quem estava dentro do prédio.

Saudosa, Vanderleia Mangold, 41, conta que já serviu muitos artistas nos cinco anos em que lá trabalha. “Já tirei muita foto com artista, a maioria é bem legal com a gente. Teve um ano que até tomei cerveja com o Eduardo Moscovis e Zezé Polessa na festa de encerramento”, diz.

Dentro do Palácio, tranquilidade total. Apenas um grupo de 60 profissionais tinha permissão para subir as escadas rumo ao estúdio panorâmico de onde foram transmitidos os debates sobre os filmes da programação.

A segurança também diferiu dos anos anteriores à pandemia. Apenas uma agente ficou lá dentro e seu trabalho se resumiu a abrir e fechar a porta aos autorizados. “Às vezes vem um ou outro e bate no vidro. Eles pedem para entrar e tirar foto, mas não posso deixar”, relata Franciele Caetano, 26.

Em 2019, última edição presencial do evento, os seguranças da empresa Águia Branca precisaram se desdobrar para conter o público que se agitou pela presença da atriz Bruna Marquezine. “Cinco seguranças ficaram no entorno dela, foi uma loucura.”

Mais festa, menos filme

A época do festival na serra gaúcha atraía cerca de 250 mil pessoas antes da pandemia. Ainda não sabe quantas pessoas estiveram na cidade para o festival deste ano, diz a Secretaria de Turismo. Entretanto, segundo o Sindtur (Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Parques, Museus e Similares da Região das Hortênsias), a lotação dos hotéis chegou a 70%, quando o limite é de 75% por conta da pandemia.

Nos anos anteriores, muitos visitantes estavam menos interessados na programação de filmes – e mais na badalação gerada pela presença de artistas e pelas festas que ocorriam em paralelo. Neste ano, a badalação foi menor, mas ainda assim atraiu turistas interessados nas festas.

É o caso do empresário industrial Anderson Leber, 42, que a reportagem encontrou enquanto ele estacionava sua Ferrari junto a uma fila de outros carros de luxo. “Venho todos os anos para o festival, tem um clima bom, gente bonita e festas incríveis”, diz.

Festas? Com naturalidade ele responde que iria à famosa festa Red Carpet e em seguida entra em um bar apinhado de gente, que fica ao lado do Palácio dos Festivais.

Na frente do bar, três loiras altas, bem vestidas e muito maquiadas papeiam enquanto esperam um Uber. De Santa Catarina, a mais simpática comenta que elas vêm todos os anos para as festas, mas é logo interrompida pela amiga: “Não responde mais nada, vai que baixa a fiscalização.”

A pensionista Augusta Lorenzitti veio de Colatina (ES) e se dispersou do pessoal da excursão para registrar sua passagem pelo tapete vermelho. “Era para ter vindo em abril, mas por causa da pandemia a CVC cancelou. Foi bom porque agora tem mais coisas pra ver”, diz. “Depressão não resiste a isso aqui.”

Por ali também passeiam a cantora Gioavanna Vilarinho, 24, e o namorado Paulo Roberto Falcão Filho, 28, atleta e filho do ex-jogador Falcão. Tímido, ele deixa a namorada falar da ida dele para a Itália em busca de um time de futebol para jogar. “Adoro essa época, a cidade fica mais animada”, diz ela, sobre o festival.

Beneficiados pela localização privilegiada, os bares da rua Coberta estavam lotados e com fila de espera online. Mesmo assim, os gerentes não pareciam tão satisfeitos. “São muitas restrições, antes fazíamos uma decoração diferenciada, o restaurante virava um pub, tinha música e apresentações artísticas. Agora o cliente tem que ficar sentado, não pode dançar. Esse formato acabou com o festival”, se indigna Willian dos Santos, gerente do Pastasciutta.

O Neni, um café, bar e restaurante, tem duas unidades na rua Coberta – juntas, elas atendem a 520 pessoas por dia, em média. Na entrada, um pequeno cartaz informa que a consumação mínima é de R$ 500 por pessoa. “O consumo é simbólico para filtrar o cliente. Temos o espaço de ouro lá embaixo e se o cliente vai mesmo gastar, ele não se importa com o valor que apresento na entrada”, defende Edi Lopes, sócio operador. Sentados ali, jovens fumavam cigarros eletrônicos e bebiam gim-tônica.

Fonte: TabUOL

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