Gramado In Concert – A Harmonia entre instrumentos de corda e sopro

Gramado In Concert – A Harmonia entre instrumentos de corda e sopro

Na família dos instrumentos que compõem uma orquestra estão as cordas (violino, violoncelo, viola, contrabaixo, harpa e piano), as madeiras e sopros (flauta, oboé, clarinete e fagote), os metais (trompete, trompa, trombone e tuba), e a percussão (bumbo, marimba, tímpanos e xilofone). Buscando através da música de câmara conduzir o público por diferentes paisagens musicais, foi apresentado na quinta-feira (8) o repertório “Caminhos da música: entre cordas e sopros“, na programação do Gramado In Concert. As apresentações foram desde a suavidade da flauta até um empolgante quinteto de metais, garantindo ao público presente na ExpoGramado e online uma experiência musical completa.

Olinda Allessandrini, responsável pela série de música de câmara diz que estava em dúvida se construía um repertório somente com instrumento de cordas ou só com instrumentos de sopro. A decisão foi por usar os dois grupos de instrumentos. “As cordas são mais conhecidas, fazem mais parte das orquestras de câmara, os jovens muitas das vezes começam com esses instrumentos e os sopros são mais raros, porque o jovem começa a estudá-los mais tarde. Os sopros contrastam bastante com os metais”, diz.

O resultado deu ao público a oportunidade de ouvir, o que se chama na música, de diferentes cores sonoras. “As músicas escolhidas são sempre a partir do sopro. É o sopro do artista, a alma do artista que se manifesta e o resultado é maravilhoso”, complementa Olinda.

Diferentemente dos dias anteriores em que a primeira música homenageou pessoas que perderam parentes, amigos e colegas para a Covid, hoje buscou-se transmitir uma mensagem de esperança e foi dedicada aos pesquisadores, cientistas, pela vacina, para que todos tenham um caminho de esperança para enfrentar este momento. A escolha por começar com a obra “Fantasia, de Villa-Lobos (1887-1959)”, foi justamente por querer transmitir essa mensagem. “Villa-Lobos era cheio de esperança. Ele acreditava no futuro e fazia questão que a sua música apontasse para o futuro, mesmo que sua obra muitas vezes fosse incompreendida na época”, destaca a pianista. Ela comenta ainda sobre a participação do público no evento. “Eu gostei muito do formato híbrido, porque mesmo de casa, conseguimos sentir a energia das pessoas”.

Como mencionado, a primeira obra apresentada foi “Fantasia, Animé, Lent e Trés Animé, de Villa-Lobos”. Escrita originalmente para saxofone, a canção é uma das melhores e mais reconhecidas obras do compositor e que pode ser interpretada como uma sonoridade que transmite esperança e amplia as possibilidades para quem está ouvindo. Quem tocou a obra foram os músicos Paulo Bergmann (piano) e Lucas Robatto (flauta).

Entre o dedo e a saída do som, existem bastante detalhes, e dependendo do instrumento, a cor é diferente. Saindo do Brasil, a segunda obra foi “Légende, para trompete e piano. de George Enescu (1881-1955). A música foi escrita para uma competição de trompete de 1906, no Conservatório de Paris e dedicada ao professor Merri Franquin. Érico Fonseca, quem interpretou a canção junto com Paulo Bergmann, diz que esta é “uma pequena jóia criada para tocar no trompete”. No resultado, os instrumentos se complementam, indo da delicadeza do piano a potência do trompete.

A terceira canção foi do carioca Guerra-Peixe (1914-1993), intitulada de “Trio nº 2, Allegro Moderato, Andante e Vivace”. Guerra-Peixe é conhecido por sua sonoridade nordestina, sendo que em algumas de suas obras ele transformou o folclore nordestino em música. A obra foi apresentada pelo trio Lucas Robatto, Ovanir Buosi e Fábio Cury.

Em seguida o público assistiu a peça “A Western Fanfare, de Eric Ewasen (1954). Como uma conversa entre os instrumentos, o que é uma característica da música de câmara, os intérpretes da obra foram Érico Fonseca, Leandro Serafim, Radegundis Feitosa, Carlos Freitas e Luiz Ricardo Serralheiro. Leandro Serafim explica que Ewasen dedicou grande parte da sua produção à música de câmara e que esta música faz parte disso. “Esta música salta aos ouvidos e remete ao cinema”, pontua.

Os quintetos de Victor Ewald (1860-1935) foram por muito tempo considerados as primeiras peças originais compostas para um conjunto que hoje denomina-se quinteto dos metais modernos. Sendo assim, a quarta obra foi “Quinteto nº3, I Mov. Allegro Moderato (1912)”, do compositor. O quinteto de metais do Gramado In Concert, transmitiu para o público todo o virtuosismo e homogeneidade da canção de Ewald.

A última música foi “O bom filho à casa torna”, de Bonfiglio de Oliveira, um chorinho. Érico Fonseca desejou que o público gostasse da canção e disse que é um prazer estar em Gramado. Antes de encerrar a programação, Leandro Serafim pediu para que o público o ajudasse a cantar uma música, “Parabéns”, em homenagem ao aniversário de Olinda Allessandrini, que ficou emocionada com a surpresa.

“GRAMADO SUPEROU A NOSSA EXPECTATIVA”
O casal Nair de Campos e Dimas Carneiro vieram de São Paulo para morar em Gramado. “Quando saímos de São Paulo, pensamos ‘bom, temos que nos conformar com uma orquestra meia boca que toda cidade do interior tem’. Chegando aqui encontramos uma orquestra não só profissional, mas de nível internacional. Superou nossa expectativa”, afirma Dimas. Eles elogiam os organizadores do evento. “Estão de parabéns”.

DIA DE AULAS ONLINE E DE FOTOS
O dia de quinta-feira foi movimentado para os músicos que estão participando do Gramado In Concert. Além dos ensaios e das aulas no formato online para os alunos, eles visitaram alguns dos pontos turísticos da cidade como a Igreja e o Lago Negro para tirarem algumas fotos com o fotógrafo oficial do evento, Rafael Cavalli.

Confira a programação:

Dia 9 de julho
Música séria ou divertida? Um convite à emoção.
Este programa abre com Beethoven e Villa-Lobos, em obras musicais de períodos contrastantes, carregadas de história e de emoção. Em seguida, propostas musicais divertidas, em que o bom humor aquece o palco!

Dia 10 de julho
Concerto de encerramento.

Ingressos presenciais:
As trocas devem ser feitas diretamente na Rua São Pedro, 185, no bairro Centro, em Gramado. Das 9 horas (da manhã) às 17 horas (fechando ao meio dia), de segunda a sexta-feira. Mais informações no telefone 3286 7343 ou 3286 2002.

Fonte: Folha

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